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Agora lixo é que nem nariz, cada um cuida do seu!

Dentre os maiores e mais relevantes festivais musicais do mundo – sobretudo dentre aqueles que mais ditam as novas tendências ano após ano – boa parte acontece no hemisfério Norte. E sempre no verão, afinal de contas é meio perrengue armar uma barraca de camping na neve e passar dias curtindo bandas, drinks e outros temperos à 5 graus centígrados. (…) Um dos festivais mais legais do mundo é o Roskilde, que rola sempre no comecinho de julho, na Dinamarca, na cidade de……. Roskilde (dãaaa) ! Cerca de 100 mil pessoas que este ano se aglomeraram, obviamente não apenas para conhecer bandas novas, mas sobretudo atraidas por pequeninos nomes como Radiohead, Chemical Brothers, Neil Young e por ai vai. Mas não é só por conta do ótimo público, do clima de descontração e da escalação impecável que o festival de Roskilde é um dos mais legais: conta muitos pontos a favor o fato de ser hoje um dos unicos grandes festivais a (ainda) nao ter caido nas maos de grandes corporacoes, ou de simplesmente ter se tornado business; mais um evento gigantesco organizado por alguma grande produtora. O Roskilde é na verdade – e desde a sua criação – uma fundação sem fins lucrativos, que reinveste todo o lucro em causas humanitarias e culturais, e não apenas na Dinamarca. Nao é à toa por exemplo que eles conseguem escalar o Radiohead, por exemplo, que normalmente nao toca em shows bancados por corporacoes com as quais eles nao simpatizem. O festival/fundaçao foi criado em 1971 por dois amigos de escola, na época em que ainda estavam no 2o grau, e que ainda hoje estao no comando da parada, gerenciando um time de 25 funcionarios. (…) Um dos grandes problemas para os organizadores, porém – e todo festival passa pela mesma dificuldade – é a colossal quantidade de lixo que sobra no local depois dos 4 dias de evento. De colchonetes sujos abandonados a latas e garrafas de bebida, passando por camisinhas usadas, absorventes intimos, enfim, acho que quem ja foi a um evento do gênero (ou a algum encontro de estudantes) sabe do que estamos falando. Em 2007 foi preciso uma equipe de mais de 500 pessoas para fazer a limpeza, que durou alguns dias para ser terminada – além de ter custado mais de um milhão de euros, dindin que poderia muito bem ter sido usado para alguma outra coisa. Não só por razões econômicas, mas sobretudo por conta da real necessidade de tomarmos alguma providência quanto à essa dinâmica de consumir avidamente e produzir quilos e quilos de lixo por onde quer que a gente passe, os organizadores do festival estrearam na edição deste ano a campanha “Less garbage, more music!”, incentivando o publico a nao apenas recolher seu proprio lixo, mas principalmente tentar diminuir a quantidade de lixo produzido. A campanha foi um sucesso: o publico trocava seus sacos de lixo (sacos biodegradaveis fornecidos pelo proprio festival) por recompensas. Cada saco cheio valia uma cerva ou uma barrinha de chocolate. Houve também um prêmio especial para quem recolhesse individualmente a maior quantidade de sacos de lixo. O vencedor catou nada menos do que 1048 sacos e – feliz como pinto no lixo (nao resisti à piadinha infame) -  faturou um passe livre para o backstage do show do Neil Young. (…) A média per capita de lixo recolhido foi de 5Kg (cinco quilos é lixo pra dedéu, não?), além de milhares de colchonetes e sacos de dormir abandonados que, uma vez recolhidos, foram lavados e doados para instituições que dão uma força para moradores de rua.

Este post foi publicado em sábado, julho 12, 2008 às 10:27 am, na(s) categoria(s) cultura urbana, musica e tagueadas , , , , , , . Faça um bookmark para o permalink deste post. Receba os novos comentários com o feed RSS deste post.

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