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Tacada de mestre da Electronic Arts mostra o poder viral de nossa opinião

A Electronic Arts, fabricante de jogos para computador e videogames, é uma das empresas mais antenadas do mundo em matéria de comunicação e marketing na Internet,  não apenas aproveitando todas as novas possibilidades oferecidas pela grande rede, mas também sabendo como  escapar dos « perigos » que a livre troca de informações pode representar para as empresas. Recentemente deram um golpe de mestre, se aproveitando da popularidade de um video que um anônimo postou no YouTube – e que fazia graça de uma falha num dos jogos da empresa – para publicar uma « resposta » genial, também no YouTube (que é o video no topo deste post).  Fogo contra fogo. Explico: tudo começou ano passado, quando um jovem norte-americano fã do jogo de golfe  Tiger Woods PGA Tour fez um video com um amigo, fazendo gozação em cima de uma falha do jogo graças a qual o jogador consegue ficar andar sobre a água e dar uma tacada numa bola caida no meio de um lago. A coisa fez tanto sucesso no YouTube que a falha em questão foi apelidada de « a tacada Jesus », e hoje em dia não há sequer um fã do jogo que não a conheça. A Eletronic Arts obviamente tomou conhecimento da chacota, e agora, já enquanto parte da campanha de lançamento da nova versão do jogo,  resolveram fazer dos limões uma limonada: chamaram o próprio Tiger Woods – o melhor golfista de todos os tempos, que é quem dá nome ao jogo – e produziram um video em que ele reproduz a famosa « tacada Jesus », andando por cima d’água e acertando a bola que flutuava no meio de um lago. Terminam dizendo: « Não era um defeito do jogo. É que o Tiger Woods é realmente bom o suficiente pra conseguir uma tacada dessas. » Sensacional.

Vivemos num mundo em que a opinião de um único internauta consegue criar uma enorme polêmica em torno de um produto, e onde as corporações começam a entender as novas regras do jogo e a responder à altura. E com bom humor. Em vez de simplesmente esconder informações, comprar opiniões positivas, ou até mesmo pagar para o crítico em questão calar a boca  – comportamentos tipicamente corporativos até bem pouco tempo atrás. O que fez a coisa mudar da agua pro vinho, fazendo com a opiniao alheia passasse a valer ouro? A santa Internet. Pequena retrospectiva: tudo começou nos foruns de discussao, ainda no tempo dos BBS, e que depois acabaram migrando para a web. Pessoas trocando livremente informações sobre produtos, aconselhando aqueles que estao na duvida entre um modelo ou outro, essa ou aquela marca. Para os consumidores foi uma revolução, e logo apareceram sites inteiramente dedicado à criticas/comentários sobre produtos, como o Buzzillions ou o Toluna – que operam globalmente – ou ainda o brasileiro Ivox. Com a explosão do conteúdo colaborativo, os proprios sites das lojas passaram a permitir – até mesmo estimular – que os internautas comentassem e dessem notas para os produtos. Outros, como a pioneira Amazon, passaram a organizar o conteudo de maneira dinamica, baseados no gosto e nos habitos de compra dos clientes. Quem comprou isso tambem gostou disso, e ai pronto: um sistema de indicacoes que muito mais eficaz do que os tradicionais rankings de mais vendidos, mais comentados e etc.

Hoje em dia só compra um produto às cegas – ou acaba comprando gato por lebre – quem quer. E de poucos anos pra ca, com o boom do YouTube e do territorio livre dos videos internéticos, é sobretudo por la que as pessoas tem se expressado contra ou a favor de um determinado produto. Inumeros sao os casos em que marcas foram ajudadas ou atrapalhadas por movimentos espontaneos e virais sobre elas na Internet, gente que passou a usar o produto de algum outro jeito, viu graça, atentou para algum eventual defeito, ou simplesmente faz apaixonadas « homenagens » aos seus bens de consumo. É claro que nao demorou muito para que as agencias de comunicacao e as proprias corporacoes percebessem a mina de ouro que seria poder controlar ou ao menos «estimular » este tipo de movimento.

Este post foi publicado em segunda-feira, agosto 25, 2008 às 10:58 am, na(s) categoria(s) coluna cibermundo, cybercultura e tagueadas , , , , . Faça um bookmark para o permalink deste post. Receba os novos comentários com o feed RSS deste post.

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