Hulu.com é atualmente a mais ambiciosa empreitada televisiva da Internet: um conglomerado capitaneado pelas gigantes News Corp e NBC Universal, mas que inclui também outros grandes grupos televisivos dos EUA. Estamos falando de corporações norte-americanas, mas a relevância de um serviço como o Hulu é universal: além do fato de que a maior parte dos filmes e séries consumidos em todo o mundo sejam produzidos por estas empresas, tais grupos atuam também na Internet, um mercado essencialmente sem fronteiras. O MySpace, por exemplo, sucesso absoluto em todo o planeta e com subsidiaria até no Brasil, é da News Corp. Os dois capitães do time tiveram a inteligência de perceberem que – mesmo que sendo dois gigantes do mercado televisivo – talvez ainda assim fosse complicado bater de frente com o gigante Google e seu YouTube. Convocaram então outros grandes jogadores para participar do Hulu: a CBS, o canal Comedy Central e a MTV, estes dois ultimos da também gigantesca Viacom. A batalha é ingrata: na época do lançamento oficial do Hulu, em março deste ano, o YouTube comemorava 90 milhoes de espectadores por mês, 80% a mais do que o segundo lugar, ocupado pelo grupo Fox Interactive Media, uma subsidiaria da News Corp que inclui o site Fox.com, o MySpace e mais alguns outros. Haja disposição pra bater de frente. No entanto o Hulu tem sido um sucesso, com sua audiência crescendo bem além das previsões.
Ainda estão (muito) longe de uma eventual vitoria contra o YouTube, mas nós telespectadores – e também os profissionais de marketing e publicidade – têm muito o que comemorar! O vitorioso modelo de negócios do Hulu é inteiramente baseado na publicidade, sendo um serviço totalmente gratuito para quem assiste os programas. Afinal de contas, todos nós queremos aproveitar as maravilhas da TV online, de podermos assistir os programas que quisermos e na hora em que bem entendermos; mas daí a pagar por isso? Desde que a televisão existe nos acostumamos a termos bons programas em troca de assistirmos alguns minutinhos de comerciais, sem falar no fato de que a publicidade é fundamental para o desenvolvimento e a prosperidade de qualquer economia. Tanto as agências de publicidade quanto seus clientes não viam a hora de começarem a surfar esta nova onda do video na Internet, mas ao mesmo tempo ficavam com um pé atrás de associarem suas marcas à videos de conteudo e qualidade duvidosos, feitos pelos proprios internautas. Quem acessa o YouTube sabe: para cada video legal que achamos por la, ha dez que nao valem os centavos que o Google gasta para hospeda-los. Hulu não é baseado em conteudo colaborativo, em que milhares de internautas produzem conteudo para outros milhares de internautas. Apostam no modelo tradicional de televisao, onde a revolucao é o novo modelo de transmissao e todas as novas possibilidades de interacao proporcionadas pela Internet. Novas possibilidades e formatos também para os anunciantes, que podem de alguma maneira fazer uso da grande comunidade online que existe em torno do Hulu, com foruns de discussao onde os telespectadores comentam a programacao, seçoes com conteudos relativos aos programas e por ai vai. A Nissan, por exemplo, deixou os telespectadores escolherem que carro eles gostariam de ver na proxima campanha publicitaria da empresa. Tem funcionado: grandes marcas como Unilever, Intel e Best Buy – dentre centenas de outras – têm feito fila para comprar os espaços publicitarios da programacao do Hulu. Desde o primeiro dia de beta teste, todos os breaks comerciais ja estavam totalmente preenchidos.
Vejo as telecoms todas assanhadas por conta dos projetos de TV pelo celular, e tem-se feito muito barulho em torno da TV digital, que no entanto ainda sao realidades longinquas por conta de toda a logistica tecnologica e economica necessaria para que se popularizem de verdade. A Internet, por sua vez, ja tá ai, presente em milhares de lares brasileiros e crescendo cada vez mais. Acredito que, atualmente, seja a perspectiva mais concreta para o futuro da televisao. Metade da população norte-americana já assiste programas de TV pela Internet e no resto do mundo a proporção também tem aumentado a passos largos. No Brasil, das duas uma: ou as emissoras de TV vão acordar pra vida e se unirem nos moldes do que foi feito para o Hulu, ou os gatos pingados mais perspicazes vão conseguir explorar este filão antes de todo mundo.
Este post foi publicado em segunda-feira, setembro 1, 2008 às 12:01 pm, na(s) categoria(s) coluna cibermundo, cybercultura e tagueadas entretenimento, tv, video, youtube. Faça um bookmark para o permalink deste post. Receba os novos comentários com o feed RSS deste post.

Ou então
O Hulu parece ser lega, porém seu conteúdo está limitado aos usuários dos EUA.