A atual economia globalizada tem dado a nós consumidores uma enorme variedade de opções na hora de comprarmos algum produto. Tanto no que diz respeito a possiveis marcas e modelos quanto à escolha da loja ou site onde vamos comprar. Acabou aquela história de ficar namorando um produto na vitrine, olhando de longe e sem saber muitos detalhes sobre ele, para depois ficar na dependência das poucas informações fornecidas pelo vendedor e pronto, já ter que decidir se compra ou não. E eu sempre detestei vendedores que não entendem xongas dos produtos que vendem, infelizmente um espécime até bastante comum no Brasil. Agora compramos online e nos acostumamos a ter acesso à maior quantidade possível de informação sobre o produto em questão, para que a decisão da compra seja a mais consciente possível, com o melhor custo/benefício que pudermos conseguir. Vamos no site das marcas, depois nos foruns e nos sites de opinioes dar uma olhada nos relatos de quem já comprou, por fim a tarefa de pesquisar o melhor preço é feita em segundos por serviços comparadores como BuscaPé ou BondFaro. Ou então, como já acontece em boa parte do mundo, ir direto a algum mega-site de comércio eletrônico como a Amazon – que agrupa centenas de lojas/fornecedores diferentes e vende literalmente de tudo. No entanto, se por um lado todas estas facilidades do comércio eletrônico fazem o consumidor ganhar tempo, comprar melhor e por menos; por outro a relação entre quem vende e quem compra tornou-se extremamente impessoal. Seja qual for a loja escolhida, ou a marca e o modelo do produto comprado, no final das contas toda e qualquer mercadoria acaba sendo reduzida ao seu formato final: uma caixa de papelão que chega pelo correio. Alguém fabricou, alguém entregou no gigantesco estoque da loja em questão, que embalou, despachou via sedex e botou a conta no seu cartão de crédito. Tem começado a surgir então uma nova geração de consumidores, que quer *ainda* mais informações sobre os produtos: não apenas saber toda a ficha técnica, ou os ingredientes, ou ainda um atendimento mais personalizado; mas também saber como o produto foi feito, onde, por quem, como foi transportado e até o quão poluente foi o transporte, afinal de contas o tamanho da “pegada de carbono” deixada pela fabricação de bens de consumo tornou-se um aspecto bastante relevante. E não pára por aí: esta nova geração de consumidores também quer saber se as condições de trabalho dos operários/funcionários que trabalham para estas marcas são dignas e dentro das normas internacionais.
Não querem mais saber de comprar roupas de marcas famosas com o famoso “made in china” atrás, muitas vezes indício de trabalho mal pago ou às vezes até infantil. Algumas marcas estão começando a perceber esta tendência e tem apostado com sucesso nesta nova onda de consumo “bem informado” e consciente: a Love Earth, grande marca de jóias e bijuterias vendida nos EUA em hipermercados como Wal-Mart, passou a disponibilizar em seu site um serviço que possibilita ao cliente “rastrear” todo o caminho percorrido pelo produto. Basta digitar o número de série impresso na embalagem para ter acesso a um monte de informações sobre onde a matéria prima em questão foi comprada, como ela foi transportada, onde fica a linha de montagem e etc, até a chegada do produto final na prateleira. Já a marca neo-zelandeza Icebreaker, especializada em produzir roupas de lã e que há tempos já tinha investido em seus próprios rebanhos e se tornado auto-sustentável, agora passou a imprimir um codigo a mais em cada uma de suas peças. Da mesma maneira, entrando o código no site da empresa, é possível saber exatamente de *qual* ovelha veio a lã do pulover, ver fotos e videos do fazendeiro que cuida delas, além de também poder acompanhar o trajeto que a lã percorre do momento em que a ovelha é tosada até sair da fábrica. E os clientes têm adorado.
Faz sentido: dar aos compradores todas essas informações – que até então nunca tinham sido de facil acesso – sobre o ciclo de vida do produto que eles adquiriram ajuda a criar melhores relacionamentos entre marcas e clientes, além de mostrar a estes que o processo através do qual o produto em questão foi fabricado foi correto - respeitando a natureza e os recursos humanos envolvidos. Enfim, um produto “do bem”.
Este post foi publicado em segunda-feira, setembro 15, 2008 às 10:59 am, na(s) categoria(s) coluna cibermundo, cybercultura e tagueadas consumo, e-commerce, web. Faça um bookmark para o permalink deste post. Receba os novos comentários com o feed RSS deste post.

Ou então
Acho que esse post rende uma ótima coluna, mano :)
Já pensou se isso vira moda no mundo e o Brasil, para não ficar “de fora”, resolve adotar algo que se assemelhe? Como serão identifacados os produtos, agrícolas e/ou minerais, que venham de trabalho escravo que muito comum entre nós?? Vão ter que colocar o desenho de grilhoes nas etiquetas??