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Tem que comer o que está por perto

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Creative Commons License photo credit: justinhenry

Os « Locavores » são uma tribo de idealistas que começa a ganhar força internet – e por consequência na imprensa – com sua « lei das 100 milhas », que diz que todos os alimentos consumidos por eles tenham sido produzidos a no maximo 100 milhas (160 quilometros) de onde moram. Proposta mais do que ousada nestes tempos de extrema globalização, pois na pratica o adepto tera que produzir ele mesmo seus alimentos ou dar a sorte de conseguir comprar alguma coisa dos produtores/fazendeiros das redondezas. Reacionarios? Puristas da alimentacao organica? Defensores fervorosos do planeta? Anti-globalizacao? Talvez um pouco disso tudo. Seguindo a regra à risca, torna-se inevitavel abandonar produtos como o café (afinal de contas nem todas as regioes brasileiras o produzem), chocolate, e todo tipo de produto enlatado (que são terminantemente proibidos por conta da “pegada de carbono“  que eles deixam, tanto para serem produzidos quanto para serem transportados. No final das contas, praticamente todos os produtos industrializados terao que pular fora da dispensa. Pode parecer maluquice, mas a conta que eles fazem é bem simples: legumes e frutas produzidos localmente consomem entre 10 e 20 vezes menos petroleo para serem transportados do que os que vem importados de outros paises. Mesmo que seja um pais « vizinho » da america do Sul, que estao no minimo a 1000 km de distancia de qq grande centro brasileiro. A « doutrina » Locavor surgiu em Sao Francisco (EUA) em 2005: Jessica Prentice, na época estudante de culinaria, mais 3 amigas, se desafiam informalmente a durante 1 mês comer apenas produtos locais. Desafio que pode se tornar um grande perrengue num pais enorme como os EUA, onde boa parte dos produtos viaja entre 2400 e 4800 km até chegar nas panelas. A noticia do tal « desafio » foi se espalhando pela cidade e em poucos meses centenas de outras pessoas resolveram encampar a idéia. Resultado: os restaurantes descolados da cidade começaram a oferecer « cardápios 160 km » apenas com ingredientes locais, pequenas hortas e pomares comunitários começaram a pipocar e todos os geeks (que não são poucos na região) começaram a frequentar em massa o novo « Café 150 » do Google Multiplex, originalmente o refeitório dos funcionarios Google, que também entrou na onda dos Locavores. Nos ultimos 12 meses, associações de Locavores começaram a surgir também na Europa e na America do Sul. Mas apesar da idéia estar se espalhando, há quem não dê muito crédito. Parte da imprensa norte-americana – e da imprensa mundial em geral – faz chacota dos locavores: o jornalista Joel Stein da revista Time, por exemplo, fez uma matéria fazendo gozação do “radicalismo” dos Locavores e conta orgulhoso que para protestar contra essa maluquice, preparou um jantar onde nenhum ingrediente percorreu menos do que 5.000 quilometros. Seu argumento: « no século XXI o ato de se alimentar passou a ser também um momento de mistura de culturas, de viajar sem saior do lugar e de conhecer novos sabores ». O buraco é muito mais embaixo, mas ele não deixa de ter razão: o consumo cotidiano de alimentos importados é apenas um dos aspectos da enorme globalização que vivemos neste inicio de século. Globalização econômica, cultural e ecológica. Afinal de contas o planeta que estamos destruindo também é o mesmo pra todo mundo.

Este post foi publicado em segunda-feira, outubro 6, 2008 às 6:11 pm, na(s) categoria(s) aldeia global, coluna cibermundo e tagueadas , , , , . Faça um bookmark para o permalink deste post. Receba os novos comentários com o feed RSS deste post.

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