Semana passada Steve Jobs – fundador e chefão da Apple, uma das mais importantes empresas de informática da historia – enviou uma carta aos seus funcionarios para contar que, agora a coisa é séria, se afastará de vez do posto para cuidar da saude; no caso um cancer no pancreas e uma disfunção hormonal que veio por tabela. Há enormes especulações quanto ao futuro da Apple, uma vez que todos sabem que foi o próprio Steve que conduziu com mão de mestre a empresa ao longo desta ultima década, e por todos sabermos que – se por um lado desde sua fundação a Apple teve um papel decisivo nesta revolução da micro-informatica e da informação que estamos vivendo neste exato momento – nestes ultimos anos seu papel passou a ser ainda mais importante. Isto porquê Steve Jobs percebeu, talvez antes de todo mundo, que o futuro não estaria mais apenas no computador. Ou melhor: que no futuro o computador e a informática estariam em toda parte. Não à toa sua empresa é a responsável pelo iPod – que popularizou de vez o MP3 e a musica digital portatil – e mais recentemente o iPhone, que foi um divisor de aguas na telefonia celular. Depois do sucesso avassalador do iPod a Apple tirou o sufixo “Computers” do seu nome, mas tanto o iPod quanto o iPhone são mini-computadores, dedicados a executar tarefas bem especificas – e com extrema eficiência, diga-se de passagem. O pulo do gato. (…) Ele fundou a Apple em 1976, juntamente com seu amigo Steve Wozniak. Em 1984 lançaram o Macintosh, o primeiro micro-computador efetivamente pessoal, concebido para o uso doméstico: interface grafica, um mouse e programas faceis de usar. Vendeu que nem agua, e causou uma verdadeira revolução na imprensa, no design e nas artes graficas e visuais em geral. Foi graças à Apple ter popularizado o computador pessoal que nos anos seguintes permitiu à IBM inundar o mundo com seus PCs (cuja sigla vem de “personal computer”) que em seguida foram dominados pela Microsoft e seu Windows, e por ai vai. Em 1985 os acionistas majoritarios da Apple afastaram Jobs da empresa, por conta de desentendimentos internos. A Apple passa então por uma curta época de prosperidade, com os laptops PowerBook, mas depois vem a crise. O Windows cada vez mais onipresente, enquanto a Apple passa por um periodo bastante complicado, bem no meio dos anos 90. Enquanto isso Steve Jobs, para se distrair um pouco, estava reinventando o desenho animado e as animações em computação grafica, tendo criado a Pixar, que ainda hoje é um dos peso-pesados nesta seara.
É então em 1997 que o chamam de volta, às pressas, pra evitar que a empresa fosse pro brejo de vez. Ele faz as pazes com a Microsoft, que investe 150 milhoes de dolares na Apple. E Jobs passa os anos seguintes fazendo o que ele sabe fazer de melhor: transformar a tecnologia em algo eficiente, cool e sexy. De lá pra cá sucederam-se iMac, iPod, iTunes, iPhone e Apple Store. Não apenas salvou a empresa como transformou-a (novamente) numa maquina de fazer dinheiro. O problema é que nenhuma empresa deste porte depende tanto de seu presidente quanto a Apple. Além de um gênio visionário – um grande navegador do nosso tempo, que zarpou rumo à descoberta de novos continentes – é também um show man, uma espécie de Silvio Santos da tecnologia. Essa semana que começa hoje é o pior momento para você vender suas ações da Apple. Mas não se desespere: o caminho apontado por Jobs já está entranhado na empresa. Em seu atual “board” de administradores há gente de peso como Al Gore e Eric Schmidt, este ultimo chefão do Google. Sem falar em Johnatan Ive, o diretor da equipe de design, responsável pelo iMac, iPod e iPhone, cujo mérito muitas vezes é ofuscado pelo brilho de Jobs. Uma página de nossa história recente se vira, mas a Apple vai sobreviver e ainda nos surpreenderá muitas vezes.
Este post foi publicado em segunda-feira, janeiro 19, 2009 às 12:47 pm, na(s) categoria(s) coluna cibermundo, tecnologia e tagueadas Apple, Mac, steve jobs. Faça um bookmark para o permalink deste post. Receba os novos comentários com o feed RSS deste post.

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