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Adidas corre por fora

Quem é bom observador já sabe que o mundo está caminhando a passos largos para um futuro onde boa parte do consumo (muito provavelmente a maior parte, aliás) vai acontecer online, via comércio eletrônico. Supermercados online, lojas de departamento online, sites de leilões e classificados como Mercado Livre e eBay, a Amazon que vende de tudo, enfim, isso já não é mais nenhuma novidade. Também não é novidade o fato de que apesar de toda a empolgação em torno do comércio eletrônico e suas vantagens (principalmente) pra quem vende (menor custo, maior alcance, maiores volumes e por aí vai), profissionais de marketing de marcas de roupas e calçados sabem bem que pra eles é mais complicado: até hoje não inventaram um jeito de proporcionar ao consumidor uma maneira de se experimentar virtualmente o produto em questão. A camisa no site é bonita e tá com um preço bom, mas se você comprá-la e descobrir que ela não cai tão bem assim em você, toda a praticidade do comércio eletrônico começa a ir por água abaixo.

A Adidas é um exemplo de quem percebeu isso e tem algo novo a propor: foi inaugurada em Tóquio a primeira loja Adidas Runbase, onde praticantes de cooper e caminhada podem ir experimentar tênis e roupas esportivas e testá-los em condições reais de uso. Não, não construiram uma pista de cooper dentro da loja, o cara vai, escolhe o tênis que ele quer experimentar, pega ele “emprestado” e vai correr do lado de fora, como faria normalmente. Não à toa, a loja fica no bairro da Praça Imperial, que é um dos lugares mais frequentados pelos esportistas da cidade. A coisa não para por aí: além de testar o material e poder contar com a consultoria dos vendedores (que entendem tanto dos produtos quanto da prática esportiva em si) há 16 chuveiros e 248 armários para alugar, ou seja, a loja passa a ser um lugar prático pra se guardar a mochila enquanto corre, depois tomar um banho, catar a a mochila e ir pro trabalho.

Outras marcas já estão começando a perceber que sim, o comércio eletrônico veio pra ficar, mas que o atendimento personalizado, os conselhos, e toda sorte de serviços adicionais que a compra em uma loja pode proporcionar continuam tendo o seu (alto) valor. Prepare-se para ver marcas que surgiram na (e que só vendem pela) Internet abrirem “lojas” de verdade, que funcionarão como locais para se experimentar e conhecer os produtos, de maneira palpável. Meu achômetro também me diz que o contrário também acontecerá: uma espécie de equilíbrio entre a experiência offline e online. Ou seja: você vai ao shopping, entra na sua loja preferida, experimenta o produto, decide comprá-lo e sai da loja sem precisar carregar nenhuma sacola. O produto será entregue à domicílio, como se a compra tivesse sido feita pelo site. Experimentou, ficou na dúvida e quer resolver depois? O vendedor imprime um cartãozinho com um QRCode e caso você se resolva, bastará ir ao site da marca, posicionar o código de barras na frente da webcam e pronto: o produto, já na cor escolhida e no tamanho certo já está no carrinho de compras, basta entrar com o número do cartão e esperar a entrega.

Este post foi publicado em quinta-feira, agosto 19, 2010 às 10:49 am, na(s) categoria(s) cultura urbana e tagueadas , , , . Faça um bookmark para o permalink deste post. Receba os novos comentários com o feed RSS deste post.

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