A conscientização quanto às questões do meio ambiente – e quanto à nossa própria saúde – deixou de se chamar “ecologia” e de ser um nicho comportamental (o que foi até o meio dos anos 90) pra se tornar um aspecto importante do comportamento urbano de hoje em dia. As pessoas tem prestado cada vez mais atenção ao impacto ambiental do que compram, do lixo que jogam fora, a qualidade e a origem dos alimentos, agrotóxicos, produtos orgânicos e por aí vai. Especificamente sobre os alimentos, existe uma demanda cada vez maior por parte dos consumidores por saber mais sobre como foi feito, com que ingredientes, se são orgânicos ou não, se são transgênicos ou não, enfim, queremos saber exatamente o que estamos ingerindo. O mercado já percebeu esta demanda e aos poucos vai adaptando seus produtos (ou criando outros inteiramente novos) a esse novo consumidor ávido por informação. O que acaba repercutindo na abordagem, na maneira como alguns produtos se posicionam e/ou são apresentados. Uma tendência que tem crescido bastante é a alusão à tabela periódica e seus elementos químicos, que no imaginário do consumidor é o grau máximo de pureza que uma susbtância pode atingir.
A marca norte-americana de vinhos Wines Of Substance (“vinhos de substância”) é um bom exemplo. Criou para suas garrafas uma identidade visual inteiramente inspirada na tabela periódia, onde as primeiras letras do tipo de uva usado para a garrafa em questão são impressas em tamanho garrafal (não resisti ao trocadilho), como se fossem a sigla de um elemento químico. O rótulo do “Merlot”, por exemplo, é “Me”. E a proposta vai bem além do rótulo: há também informações impressas na rolha, e sobretudo um mar de informações no site, na forma de uma tabela periódica com os detalhes de cada garrafa, o tipo de uva, suas características aromáticas, sabores, sugestões gastronômicas pra acompanhar, etc. A última da marca tem sido organizar reuniões de degustação via Twitter, as pessas são avisadas meio que em cima da hora e todo mundo corre pra uma determinada loja de vinhos pra provar os tais Wines Of Substance, ouvindo os conselhos de um enólogo.
Indo do vinho pro sal, a marca espanhola de sal premium Soso Factory tem investido nessa mesma tendência química. Dentro dos potes o que há é sal, sal disso, sal daquilo, enfim, nada muito mirabolante, mas as embalagens criadas pelo designer Eduardo del Fraile fazem toda a diferença. Mais uma vez as duas primeiras letras do tipo do sal são impressas no rótulo como se fossem a sigla de um elemento químico. O sal “Indian”, com especiarias indianas, virou “In”. O sal trufado virou “Tr”, e por aí vai. A exemplo dos vinhos, há também uma tabela periódica inteira, mostrando todos os tipos, neste caso impressa na parte traseira dos rótulos.
E do sal a gente pula pra um tipo de produto bem recente, que ficam no meio do caminho entre a indústria alimentar e a farmacêutica. São os producos “nutricêuticos”, como tem sido chamados ao redor do mundo: suplementos alimentares “personalizados”, feitos para dar um gás na saúde e na beleza.
São coquetéis desenvolvidos por cosmetólogos, nutricionistas e cientistas; e o que as marcas que tem se aventurado neste novo nicho oferecem é um programa personalizado de nutrição, feito “sob medida para as necessidades de cada consumidor”. Um dos líderes deste setor é a marca inglesa Functionlab, com sua coleção Nutrient Tonics, que são uns tubinhos de 60ml contendo um líquido rico em anti-oxidantes, vitaminas e sais minerais, com fórmulas/nomes tais como Provino, Beauty, Energy, Zen……. e adivinha qual foi a estética escolhida pros rótulos? Alguém falou em tabela periódica e elementos químicos?
Este post foi publicado em terça-feira, agosto 24, 2010 às 11:17 am, na(s) categoria(s) inspiração e tagueadas beleza, comida, consumo, vinho. Faça um bookmark para o permalink deste post. Receba os novos comentários com o feed RSS deste post.

Ou então
Vai ter gente achando complicado…………..
Talvez eles estejam mirando justamente no consumidor que vai entender o conceito sem muitas dificuldades, pois caso contrário também não entenderia os aspectos que tornam tais produtos algo diferente (?) da concorrência, OU, partem do pressuposto que o consumidor que tem grana e cultura suficientes para consumir vinhos, sal de luxo e cosmético sob medida, forçosamente sabe o que é um elemento químico e o que é uma tabela periódica…
[...] dia falei aqui no blog sobre a demanda cada vez maior por parte dos consumidores por saber mais (e mais!) sobre a origem [...]