
Gastar uma fortuna para ter o prazer de calçar um tênis customizado por um artista? Pros clientes da loja BrassMonki, do artista gráfico inglês Daniel Reese, deve ser algo normal. Ele compra tênis brancos de cano alto da Nike, sempre o mesmo modelo, e pinta um por um. Dentre os temas há referências à marcas/produtos como Lego e Firefox, artistas icônicos como Bob Marley e Michael Jackson e personagens da (cyber) cultura pop como Homem de Ferro, e personagens de videogame. Os precinhos? Entre 400 e 750 libras esterlinas o par, o que dá cerca de R$2000 pros modelos mais caros. Fica a pergunta: o cara que compra, ele se sente mais “único” porque usa um tênis bacana, sabendo que será extremamente improvável esbarrar com alguém usando o mesmo – ou se sente mais “único” porquê tem grana o suficiente pra torrar 2 mil reais num tênis, qualquer que seja?
This entry was written by , posted on terça-feira, agosto 31, 2010 at 12:08 pm, filed under cultura urbana and tagged customizando, design, grafitti, nike, tênis, UK. Leave a comment or view the discussion at the permalink and follow any comments with the RSS feed for this post.

Quem é bom observador já sabe que o mundo está caminhando a passos largos para um futuro onde boa parte do consumo (muito provavelmente a maior parte, aliás) vai acontecer online, via comércio eletrônico. Supermercados online, lojas de departamento online, sites de leilões e classificados como Mercado Livre e eBay, a Amazon que vende de tudo, enfim, isso já não é mais nenhuma novidade. Também não é novidade o fato de que apesar de toda a empolgação em torno do comércio eletrônico e suas vantagens (principalmente) pra quem vende (menor custo, maior alcance, maiores volumes e por aí vai), profissionais de marketing de marcas de roupas e calçados sabem bem que pra eles é mais complicado: até hoje não inventaram um jeito de proporcionar ao consumidor uma maneira de se experimentar virtualmente o produto em questão. A camisa no site é bonita e tá com um preço bom, mas se você comprá-la e descobrir que ela não cai tão bem assim em você, toda a praticidade do comércio eletrônico começa a ir por água abaixo.
A Adidas é um exemplo de quem percebeu isso e tem algo novo a propor: foi inaugurada em Tóquio a primeira loja Adidas Runbase, onde praticantes de cooper e caminhada podem ir experimentar tênis e roupas esportivas e testá-los em condições reais de uso. Não, não construiram uma pista de cooper dentro da loja, o cara vai, escolhe o tênis que ele quer experimentar, pega ele “emprestado” e vai correr do lado de fora, como faria normalmente. Não à toa, a loja fica no bairro da Praça Imperial, que é um dos lugares mais frequentados pelos esportistas da cidade. A coisa não para por aí: além de testar o material e poder contar com a consultoria dos vendedores (que entendem tanto dos produtos quanto da prática esportiva em si) há 16 chuveiros e 248 armários para alugar, ou seja, a loja passa a ser um lugar prático pra se guardar a mochila enquanto corre, depois tomar um banho, catar a a mochila e ir pro trabalho.
Outras marcas já estão começando a perceber que sim, o comércio eletrônico veio pra ficar, mas que o atendimento personalizado, os conselhos, e toda sorte de serviços adicionais que a compra em uma loja pode proporcionar continuam tendo o seu (alto) valor. Prepare-se para ver marcas (mais…)
This entry was written by , posted on quinta-feira, agosto 19, 2010 at 10:49 am, filed under cultura urbana and tagged adidas, consumo, esporte, japão. Leave a comment or view the discussion at the permalink and follow any comments with the RSS feed for this post.
Lembra que no final de 2008 eu tinha falado de “desaceleração” aqui no blog? Pois então, a tendência tem ganhado força e se desmembrando em várias outras. Agora não se trata apenas de tentar reduzir um pouco o ritmo desenfreado dessa vida urbana que vivemos – seja voltando a comer com calma e com tempo para apreciar tanto a comida e o momento, seja se engajando politicamente e defendendo a retração do crescimento econômico e industrial. A desaceleração agora está se tornando (caminho natural das coisas) um nicho de mercado, com produtos que de alguma maneira representam a antítese de grandes símbolos do aspecto “artificial” do nosso atual ritmo de vida. É nesse contexto que tem surgido as bebidas calmantes, propondo exatamente o contrário do que o Red Bull promete. Enquanto este último te dá asas, bebidas como Drank e Slow Cow (“Boi manso”, em clara referência ao Red Bull) te dão uma boa relaxada, exatamente como fazia (e ainda faz) a maracujina que nossas avós diziam que nos fariam tomar caso não sossegássemos um pouco. Mas da mesma maneira que a fórmula do Red Bull sempre foi motivo de controvérsia por conta de seus supostos perigos à saúde, essas novas bebidas calmantes já tem gerado polêmica: além do coquetel de extratos de ervas que todos alardeiam, algumas marcas – caso da Slow Cow por exemplo – põe melotonina dentre os ingredientes. É um hormônio, produzido sinteticamente, que tem propriedades relaxantes – assim como a taurina do Red Bull dá um gás. Ou seja, calmantes, ok, mas daí a dizer que são bebidas “naturais” ou benéficas, já são outros quinhentos.
This entry was written by , posted on segunda-feira, julho 5, 2010 at 10:07 am, filed under cultura urbana and tagged bebidas, desacelerando. Leave a comment or view the discussion at the permalink and follow any comments with the RSS feed for this post.
Tem um parque bem na região central de Tóquio que ao longo dos últimos anos, além de área verde pra população em geral, passou a ser residência pra um monte de moradores de rua – cuja quantidade aumentou bastante com a recessão da ultima década. Eles moram em barracas de camping, em barracos de papelao e madeira, e como passam o dia inteiro ali, muitos acabam descambando pras artes plásticas: desenham, pintam, fazem arte com objetos achados na rua – o parque tornando-se então uma exposição a céu aberto do que eles fabricam. Até que um belo dia… sem muito estardalhaço, a mega corporação Nike *compra* o parque. E os moradores de rua obviamente não são bem-vindos no novo “Parque Nike”. Pode uma corporação privada comprar um parque público? Aparentemente sim. O mini-documentario abaixo explica um pouco a situação

This entry was written by , posted on terça-feira, abril 27, 2010 at 11:17 am, filed under cultura urbana. Leave a comment or view the discussion at the permalink and follow any comments with the RSS feed for this post.
Um Sol de rachar, guetos bem pobres e outros de classe média-baixa, tecnologia na base do improviso e do “vâmu tentar fazer alguma coisa com o pouco que a gente tem” e um caldeirão étnico de muitas cores misturadas e mil e uma influências culturais a serem re-processadas à moda local. Eu poderia muito bem estar descrevendo os fatores que possibilitaram o surgimento do funk carioca na segunda metade dos anos 80, mas na verdade estou traçando as origens do zef rap-rave, estilo musical Sul Africano de certa forma primo do nosso funkão. Musicalmente é batidão, rap cantado numa mistura (quase) ininteligível de inglês com afrikander, timbres de música eletrônica européia, suíngue rasteiro de Miami Bass. Esteticamente é uma coisa meio Mad Max, meio anos 80 e 90, meio cyberbunk.
Pra entender tem que ouvir, e uma ótima amostra é o Die Antword. “Ninja” é o nome do vocalista, “Yo-Landi Vi$$er” (que se auto-intitula “fre$h, futuristik rich bitch”) é MC e também vocalista, o trio se completando com o “DJ Hi-Tek”. Os três são brancos, vêm do mesmo subúrbio de classe média-baixa da Cidade do Cabo e se tornaram superstars dos bailes de periferia e festivais musicais Sul Africanos. Por enquanto eles só tem um clipe, pra música “Enter the Ninja”, engraçada e sombria ao mesmo tempo. O vídeo abaixo é uma entrevista/amostra da próxima música/clipe “Beat Boy”, que dá pra ouvir inteira nesse blog aqui, que aliás fica hospedado no Zaire. Se o filme Distric 9 já tinha nos dado em 2009 uma boa noção da atual faceta “megalópole cyberpunk” da Africa do Sul, o Die Antword explica de vez. A meio caminho entre o Ocidente e o Oriente, riqueza e pobreza lado a lado (alguma semelhança com nosso Brasil?) e a tecnologia dando várias reviravoltas por minuto nisso tudo. Não deixe de dar uma olhada no site do trio, cheio de ótimas fotos e, uma vez no site, não deixe de clicar no item “secret chamber” do menu, que te leva pra uma espécie de quarto secreto do castelo de Die Antwoord, onde cada rosto te mostrará um video diferente, um mais sinistro do que o outro…
This entry was written by , posted on quarta-feira, fevereiro 3, 2010 at 3:21 pm, filed under aldeia global, cultura urbana, musica and tagged africa, clipe, eletrônica, periferia. Leave a comment or view the discussion at the permalink and follow any comments with the RSS feed for this post.

Dezenas de artistas de rua do mundo inteiro foram convidados a criar suas próprias versões de placas de trânsito/sinalização, e o resultado pôde ser visto por toda a população, uma vez que os trabalhos – feitos em adesivo – foram realmente postos em ‘circulação’. Rolou pouco tempo atrás em Lyon, na França, clique para ver a galeria de fotos → (mais…)
This entry was written by , posted on terça-feira, novembro 24, 2009 at 8:47 am, filed under cultura urbana, inspiração and tagged arte, europa, frança, rua, simbologia. Leave a comment or view the discussion at the permalink and follow any comments with the RSS feed for this post.

Mostre-me tua casa e te direi quem és? A pergunta talvez tenha passado pela cabeça da dupla de fotógrafos poloneses Aneta Grzeszykowska e Jan Smaga quando tiveram a idéia de produzir a “Plan“, uma coleção de montagens fotográficas cujo objetivo é mostrar de maneira extremamente detalhista – e numa única imagem – o interior de 10 apartamentos. Cada cômodo de cada apartamento foi fotografado várias vezes de alguns ângulos específicos e todas essas imagens foram em seguida processadas por um software que consegue a partir delas gerar essa imagem “aérea” final, como se tivesse sido possível arrancar o teto de um apartamento e fotografá-lo de cima. É como se alguém tivesse conseguido escanear a casa de alguém e a qualidade da imagem é excelente: nada de deformações ou partes fora de foco. Claro que deve ter dado uma trabalheira: o projeto inteiro, de mapear os 10 apartamentos, levou 2 anos pra ficar pronto. (mais…)
This entry was written by , posted on sexta-feira, outubro 30, 2009 at 5:05 pm, filed under cultura urbana, inspiração, tecnologia and tagged casa, comportamento, fotografia, FX, Polônia. Leave a comment or view the discussion at the permalink and follow any comments with the RSS feed for this post.
A medida que nas principais metrópoles do mundo aumenta a demanda por alternativas aos automóveis (poluentes, caros e grandes demais), cresce a demanda por transportes públicos mais modernos, sites de organização de carona e – tendência que não pára de crescer – veículos elétricos para transporte de passageiros. Não estou falando de carros elétricos, e sim de novos tipos de veículos urbanos, feitos para transportar duas ou até mesmo uma só pessoa; gastando o mínimo de energia possível. É o caso por exemplo do P.U.M.A (Personal Urban Mobility & Accessibility), anunciado recentemente pelo mesmo fabricante do Segway. O princípio é o mesmo: um veículo que se equilibra (sozinho, aliás) em apenas duas rodas, graças ao centro de gravidade posicionado sob medida para tal. Só que agora os “passageiros” ficam sentados, como se fosse num carro, contando inclusive com uma carenagem que protege do vento e da chuva. Um mini-carro de duas rodas ou uma moto de rodas paralelas, enfim, você entendeu :-) Com a bateria cheia, dá pra fazer uns 50Km a mais ou menos uns 50km/h, ou seja, dá pra ir e voltar do trabalho e recarregar a bateria durante à noite.
Nas cidades onde já tem alguns circulando, os donos tem tido permissão de usá-los tanto nas ruas quanto nas ciclovias (respeitando os limites de velocidade, é claro) ou seja, se a rua estiver muito engarrafada, cortar caminho pela ciclovia torna-se uma opção. Pegar a estrada, no entanto, nem pensar! O P.U.M.A. nessa caso entra no mesmo tipo de legislação das scooters de pequena cilindrada. (…) Já o NMG, é outra história. A proposta é ser pequeno e ecomômico, mas sem deixar de ser um carro. Um triciclo, pra ser mais exato. O design é bem legal, tem um quê de carro esportivo, apesar de só transportar uma pessoa. Isso mesmo, uma única pessoa, com direito a um porta-malas logo atrás da poltrona. Clique em “more” pra ver a continuação do post → (mais…)
This entry was written by , posted on segunda-feira, outubro 19, 2009 at 4:13 pm, filed under cultura urbana, tecnologia and tagged ecologia, meio ambiente, metropole, transporte. Leave a comment or view the discussion at the permalink and follow any comments with the RSS feed for this post.


Sabe essas mil e uma ocasiões, nessa vida corrida de cidade grande que a gente leva, em que trocamos olhares, vontades e tantas outras entrelinhas, sem que (na maioria das vezes) nenhuma palavra acabe sendo dita? A ilustradora nova-iorquina Sophie Blackall resolveu desenhá-las: “Mensagens dentro de garrafas, sinais de fumaça e cartas escritas na areia; seus equivalentes modernos sendo as engraçadas, triste, bonitas, esperançosas, desesperadas e poéticas mensagens deixadas diariamente nos sites de Missed Connections. Diariamente centenas de pessoas cruzam o caminho de algum(a) desconhecido(a) de maneira que uma centelha (ou até mesmo um sorriso) acabe se produzindo. Essas mensagens acabam tendo o tempo de vida de uma borboleta. Vou tentar então capturar algumas delas para a posteridade”. Todas as ilustrações estão em seu blog, que leva justamente o nome de Missed Conexions. Não deixe de clicar sobre as imagens para vê-las em tamanho natural, com todos os detalhes e texturas. Pros que ficarem fãs, é possivel comprar por 4O dolares qualquer uma das ilustrações, impressa em papel cartão, assinada pela artista, e com a entrega pro Brasil incluida no preço. Pressas épocas de dolar baixo, taí uma otima oportunidade de presentear os amigos (ou a parede da sala!) com arte contemporanea…
This entry was written by , posted on segunda-feira, outubro 12, 2009 at 3:30 pm, filed under aldeia global, cultura urbana, inspiração and tagged arte, comportamento, design, ilustração. Leave a comment or view the discussion at the permalink and follow any comments with the RSS feed for this post.
Grafitti e intervenções urbanas ainda contam com uma certa aura de ‘contracultura’ ou ‘cultura marginal’, mesmo que no fundo já não sejam mais tão novidade assim – e já amplamente aceitos e utilizados pelo mainstream/mercado. É preciso dar um passo adiante, e é o que alguns grafiteiros têm feito: a tendência agora é tentar transcender o caráter estático do grafitti, dando movimento às ilustrações. Como? Fotografando o andamento dos trabalhos e fazendo uma animação em seguida. O video acima mostra o resultado de uma parceria entre os artistas BLU e David Ellis, por ocasião do Fame Festival que rolou há pouco na Itália…
This entry was written by , posted on quinta-feira, outubro 8, 2009 at 3:22 pm, filed under cultura urbana and tagged arte, grafismo, grafitti. Leave a comment or view the discussion at the permalink and follow any comments with the RSS feed for this post.
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