
Dezessete anos atrás, quando o norte-americano Rodney King foi espancado por uma equipe da policia de Los Angeles, foi por puro acaso que que a cena ocorreu dentro da area de alcance de uma câmera de video, graças à qual tudo foi filmado e o episodio acabou sendo decisivo para o rumo que a luta anti-racismo e pelos direitos civis tomou nos EUA. Talvez seja até possivel elocubrar que, se em 2008 o pais elegeu o primeiro presidente negro de sua historia, em parte foi por conta da sacudida que o espancamento de Rodney deu na sociedade americana – e das consequentes discussoes e tomadas de consciencia. No entanto a tecnologia avançou bastante nestes ultimos 15 anos, e por conta dela o mundo mudou: hoje em dia, quando um policial executa um jovem que está no chão, imobilizado sobre a plataforma do metrô de Oakland, a cena também é filmada. Só que agora bem de perto, várias vezes e por várias pessoas diferentes.
This entry was written by , posted on segunda-feira, janeiro 12, 2009 at 6:57 pm, filed under aldeia global, cultura urbana, cybercultura, destaques and tagged celular, EUA, oakland, oscar grant, video. Leave a comment or view the discussion at the permalink and follow any comments with the RSS feed for this post.
Semana passada falei do Obama, e do quanto o uso da Internet lhe foi fundamental. Só no You Tube foram 1.800 videos publicados por conta de sua campanha, e graças a possibilidade de re-publicar estes videos em blogs ou quaisquer outros sites, obteve-se o uma distribuição plena pela internet, gerando discussões e o efeito viral já velho conhecido dos publicitários e profissionais de marketing. Além dos videos “sérios”, brincadeiras como o video da “Obama Girl” e o “Dance off” com o desafio de break dance entre Obama e John McCain amealharam milhões e milhões de espectadores nos EUA e no mundo. No entanto a coluna desta semana nem é exatamente para falar do Obama, e sim do próprio You Tube. Pois se Obama tirou vantagem do You Tube, este último está vendo sua importância e relevância aumentar (ainda mais) graças ao novo presidente. Marcando definitivamente o inicio de uma nova era na comunicação de massa, Obama anunciou semana passada que vai passar a usar o You Tube para veicular seu programa semanal – canal direto da presidência com seus eleitores – que também será veiculado em seu site oficial Change.gov. Até pouco tempo atrás o You Tube era visto como algo que se somaria à televisão tradicional, mas que jamais roubaria da TV o posto de principal veiculo de comunicação audio-visual de massa. Ledo engano. A compra do site pelo Google tem acelerado um processo que muitos já previam: o You Tube será concorrente da TV, ele aos poucos tem se tornado *a* TV. Prova disso é que o Google já começou a negociar com os estúdios de Hollywood para que em breve o You Tube possa passar filmes inteiros, o que hoje é um dos principais produtos televisivos de praticamente toda emissora – cujos filmes garantem uma parcela significativa da audiência e por consequência das verbas publicitárias. O rumor é que o Google esteja preparando um player especial, em alta resolução e formato widescreen, além de novos espaços/formatos publicitários. A previsão é de que este “You Tube Cinema” entre no ar em dentro de aproximadamente 3 meses. O debate jurídico para o desenvolvimento deste tipo de produto é delicado: não será permitido re-publicar o video em blos e sites, e muito provavelmente haverá um bloqueio geográfico para limitar a visualização apenas nos países onde os direitos autorais estiverem resolvidos. De qualquer forma, com o sem cinema, o You Tube hoje reina tranquilo: sucesso absoluto de audiência, com 49% do mercado norte-americano, contra 6% do segundo colocado, o Yahoo. Se você quer ser visto, ou precisa dar visibilidade ao seu produto, o You Tube é passagem obrigatória. Mesmo se você for o todo-poderoso presidente dos EUA.
This entry was written by , posted on quarta-feira, novembro 19, 2008 at 12:37 pm, filed under aldeia global, coluna cibermundo, cybercultura and tagged EUA, obama, politica, tv, video, youtube. Leave a comment or view the discussion at the permalink and follow any comments with the RSS feed for this post.
Os blogs independentes – sejam eles feitos por um jornalista ou por um anônimo qualquer – continuam sendo uma ótima opção para quem não quer ficar restrito às entrelinhas das grandes corporações de comunicação, que evidentemente sempre vão contar a “verdade” da maneira que melhor convier aos interesses do grupo. Mas hoje em dia – e cada vez mais – é o Flickr que tem se tornado *o lugar* para se ficar por dentro de algo que acabou de acontecer, da maneira mais factual e descentralizada possível. A cada evento importante, os usuários do site criam um grupo inteiramente dedicado à reunir fotos do acontecimento em questão. Uma espécie de “documentário coletivo”, com fotos e videos amadores. A tendência vem crescendo de maneira consistente e o recente furacão Gustav nos EUA foi o divisor de águas: vários grupos foram criados (aqui, aqui e também aqui), centenas de fotos/videos coletados e gente de todo o mundo acompanhando o Flickr como quem acompanha o site da CNN. Se por um lado os blogs independentes conseguem driblar a censura e eventuais interesses econômicos, é inevitável que um blog reflita as opiniões e pontos de vista do(s) blogueiro(s) que o escreve(m) – enquanto no Flickr é possível termos uma noção muito mais abrangente do fato sobre o qual estamos tentando nos informar, uma vez que as fotos e videos vêm de incontáveis fontes diferentes e que quase não há texto. O foco é na imagem, e mais recentemente nas imagens em movimento – graças à nova feature lançada este ano.
This entry was written by , posted on terça-feira, setembro 2, 2008 at 5:02 pm, filed under aldeia global, cybercultura and tagged flickr, foto, jornalismo, video. Leave a comment or view the discussion at the permalink and follow any comments with the RSS feed for this post.
Hulu.com é atualmente a mais ambiciosa empreitada televisiva da Internet: um conglomerado capitaneado pelas gigantes News Corp e NBC Universal, mas que inclui também outros grandes grupos televisivos dos EUA. Estamos falando de corporações norte-americanas, mas a relevância de um serviço como o Hulu é universal: além do fato de que a maior parte dos filmes e séries consumidos em todo o mundo sejam produzidos por estas empresas, tais grupos atuam também na Internet, um mercado essencialmente sem fronteiras. O MySpace, por exemplo, sucesso absoluto em todo o planeta e com subsidiaria até no Brasil, é da News Corp. Os dois capitães do time tiveram a inteligência de perceberem que – mesmo que sendo dois gigantes do mercado televisivo – talvez ainda assim fosse complicado bater de frente com o gigante Google e seu YouTube. Convocaram então outros grandes jogadores para participar do Hulu: a CBS, o canal Comedy Central e a MTV, estes dois ultimos da também gigantesca Viacom. A batalha é ingrata: na época do lançamento oficial do Hulu, em março deste ano, o YouTube comemorava 90 milhoes de espectadores por mês, 80% a mais do que o segundo lugar, ocupado pelo grupo Fox Interactive Media, uma subsidiaria da News Corp que inclui o site Fox.com, o MySpace e mais alguns outros. Haja disposição pra bater de frente. No entanto o Hulu tem sido um sucesso, com sua audiência crescendo bem além das previsões. (mais…)
This entry was written by , posted on segunda-feira, setembro 1, 2008 at 12:01 pm, filed under coluna cibermundo, cybercultura and tagged entretenimento, tv, video, youtube. Leave a comment or view the discussion at the permalink and follow any comments with the RSS feed for this post.
A Electronic Arts, fabricante de jogos para computador e videogames, é uma das empresas mais antenadas do mundo em matéria de comunicação e marketing na Internet, não apenas aproveitando todas as novas possibilidades oferecidas pela grande rede, mas também sabendo como escapar dos « perigos » que a livre troca de informações pode representar para as empresas. Recentemente deram um golpe de mestre, se aproveitando da popularidade de um video que um anônimo postou no YouTube – e que fazia graça de uma falha num dos jogos da empresa – para publicar uma « resposta » genial, também no YouTube (que é o video no topo deste post). Fogo contra fogo. Explico: tudo começou ano passado, quando um jovem norte-americano fã do jogo de golfe Tiger Woods PGA Tour fez um video com um amigo, fazendo gozação em cima de uma falha do jogo graças a qual o jogador consegue ficar andar sobre a água e dar uma tacada numa bola caida no meio de um lago. (mais…)
This entry was written by , posted on segunda-feira, agosto 25, 2008 at 10:58 am, filed under coluna cibermundo, cybercultura and tagged colaborativo, games, publicidade, video, viral. Leave a comment or view the discussion at the permalink and follow any comments with the RSS feed for this post.
Qual foi o primeiro clipe que você viu na vida? Provavelmente algum clipe cafona feito pelo Fantástico nos anos 80, pois antes da MTV estrear no Brasil, era sobretudo a Globo quem produzia os videos para as musicas, na maioria das vezes para algum especial musical ou de final de ano. Mas eis que um belo dia, antes tarde do que mais tarde ainda, a MTV Brasil deu o ar da graça, nos moldes na matriz norte-americana que já bombava desde 1981. Me lembro como se fosse ontem: no Rio de Janeiro, canal 9, passavam a programação da finada TV Corcovado até o meio dia, para que do inicio da tarde em diante, para a alegria da garotada, pudéssemos nos deleitar com Guns’n'Roses, Technotronic e Information Society. (…) Os clipes mudaram a cara da música, a indústria da música e talvez até mesmo a própria música. Além de terem sido a trilha sonora (e visual) de toda uma geração – principalmente graças à MTV, que hoje têm inúmeros concorrentes, mas que foi pioneira e talvez ainda seja quem mais entenda do assunto. (…) Os os clipes ainda existem e ainda são massiçamente consumidos, porém não mais na TV. Ou até mesmo na TV de volta à TV, se você tiver uma set-up box (ou qualquer outro equipamento) que possibilite assistir na televisão seus streamings internéticos prediletos. O site GrabbIt propõe então uma volta ao passado (ainda bem recente, na verdade), nos oferecendo a possibilidade de saber quais eram, a cada semana, os 20 videos mais assistidos da MTV no período compreendido entre sua inauguração (no caso é a MTV dos states, a matriz) e a queda do Napster*, em 2001. (mais…)
This entry was written by , posted on quarta-feira, agosto 13, 2008 at 5:03 pm, filed under cybercultura, musica and tagged anos80, anos90, clipes, streaming, video. Leave a comment or view the discussion at the permalink and follow any comments with the RSS feed for this post.
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